Para termos acesso a alguns serviços públicos, é pré-requisito possuir um celular com android, google play services e play protect, caso contrário, você sofrerá exclusão do uso do serviço. Edit: tem a opção de iphone também, mas dá no mesmo.
Fora a grande ironia de que usuários de serviços públicos brasileiros dependem de autorização de uma empresa estrangeira (google ou apple) para ter acesso.
O reconhecimento digital não reconhece minha mãe. Ela não tem rugas aos 75 anos, apenas os sulcos nariz-boca. Mas tem muita pele flácida na pálpebra, e dói em mim e nela todas as vezes em que o app mostra a mensagem “abra os olhos”. Depois de vários minutos arregalando os olhos e mudando de posição, o app fecha. Ela está fora do sistema de bilhetagem de ônibus e do Meu INSS. E quando for a nossa vez? Os sistemas que usamos hoje com alguma facilidade não vão existir, seremos excluídos também
Nossa, pesado…
Simplesmente automatizamos a discriminação e exclusão social…
Eu tenho graphene instalado no meu celular e não consigo instalar o app .gov por causa disso. Fiz uma reclamação com a ouvidoria e a resposta é sempre a mesma, que fazem isso pra evitar que usuários sejam alvo de aplicativos que fingem ser oficiais.
Isso tudo pra mim é uma grande aberração. Já vi gente ser excluída também por ter um celular com versão do android mais antiga, por ter celular barato com câmera vagabunda que não consegue funcionar o reconhecimento facial, por ter aqueles infames celulares com arquitetura x86 que alguns fabricantes fizeram e depois abandonaram, entre outros. Fora quem simplemente não tem smartphone
Em qualquer reclamação que se fizer, embora não usem as palavras exatas, sempre dirão indiretamente “se vire e compre um celular novo compatível”. Estamos construindo uma sistema altamente exclusivista e dependente dos eua, e o povo parece ok com isso.
Concordo com tudo que você disse. É realmente exclusivo, acho um absurdo.
Ao meu ver, a gente tem é que criar alternativas analógicas a tudo. Sei que parece quase impossível, mas é o que tenho buscado fazer. Não aguento mais de depender de usar o telefone celular para qualquer coisa…
Também tenho feito algo parecido. Reduzi muito meu uso e dependência de tecnologia e tenho me sentido em paz. o problema são as coisas que precisamos fazer obrigatoriamente e não há alternativas…
Qualquer desculpa que eu tiver para não usar o telefone, eu vou adotar. Até dobrar roupa se tornou mais interessante do que ficar conectado!
Não é ironia, é projeto. Somos uma colonia digital
Esse é um assunto sobre o qual já estou cansado de falar. Mas fora o fato de que exclui não só pessoas tecnofóbicas (por opção ou por trauma), exclui pessoas de gerações mais velhas. E é claro: soberania digital já! A gente precisa ter os dados do Brasil no Brasil.
Até lá, a gente precisa ter o máximo de letramento digital possível, evitando os serviços da Google e até mesmo ser um pouco analógico… Eu mesmo decidi voltar a usar mais dinheiro vivo. Já pensou se cai a internet ou a energia ou os servidores de banco ou esqueço a senha etc. etc. etc.?
@[email protected] @[email protected]
Tem lugar que nem aceita mais dinheiro vivo, muitas vezes porque só tem autoatendimento.
Exemplo: Rede Frango Assado em beira de rodovia, um dia passei raiva lá, tinha só aquele caixa de autoatendimento que não tem onde enfiar nota de papel-moeda, aceitando só Pix e cartão. E Pix depende de internet, e a rede móvel estava sem sinal, e Wi-Fi aberto da loja exigia login com Facebook, e eu não estava com o cartão. Resultado: passei vergonha e deixei as coisas lá porque não tinha meios de pagar.Os lugares que ainda aceitam papel moeda, só faltam enviar o dinheiro pra análise do banco central, de tanto que ficam virando e revirando a nota e fazendo o cliente parecer um golpista pra quem tá na fila esperando pra ser atendido. E nem sempre tem troco.
Ah, e sem contar como agências bancárias físicas vem sendo cada vez mais reduzidas, redirecionando pro “internet banking”. Tem o tal do “Pix saque”, sim, mas na prática? Eu particularmente nunca vi funcionando ainda.
só faltam enviar o dinheiro pra análise do banco central, de tanto que ficam virando e revirando a nota e fazendo o cliente parecer um golpista pra quem tá na fila esperando pra ser atendido.
Pois eu fico remexendo e revirando o troco da mesma forma, só de raiva kkkkkkkkkkkk
Mas é algo que me preocupa também. Estamos aumentando nossa dependência cada vez mais de tecnologias que são falhas. Basta uma pane energética ou de comunicação de internet, pra tudo virar o caos, sem qualquer alternativa. Isso pra mim é loucura. pelo menos moro numa cidade de interior e aqui ainda se usa bem o dinheiro físico, mas já estão chegando essas bostas de autoatendimento aos poucos…
Outra coisa complicada do dinheiro virtual é o uso por crianças. Com dinheiro físico você pode simplesmente dar um dinheiro pra criança comprar um lanche na escola ou algo assim, mas com virtual faz como? Vai dar celular com aesso a conta bancária? cartão de crédito? Inclusive, já tem aparecido na mídia umas notícias de golpes desse tipo: https://www.agazeta.com.br/es/policia/crianca-compra-acai-de-r-24-em-vila-velha-e-mae-recebe-fatura-de-r-650-0226
tudo isso fora as quesões de privacidade, né. Estamos nos deixando levar por uma pequena comodidade e dando poder pra nos explorarem ainda mais. As diferentes tecnologias pdoeriam muito bem conviver, mas estão tratando uso de tecnologias como uma disputa num tabuleiro de war
Pois eu fico remexendo e revirando o troco da mesma forma, só de raiva
É uma ideia massa. rs
Justo, até, porque vai que o comércio está voltando troco em nota falsa? Algo que, inclusive, já ouvi relatos, vários.pelo menos moro numa cidade de interior e aqui ainda se usa bem o dinheiro físico, mas já estão chegando essas bostas de autoatendimento
Eu era do interior de SP, região de Ribeirão Preto, depois fui pra Jundiaí, e em ambos os interiores, já observava tendência de digitalização, sobretudo na pandemia. Que, aliás, foi uma das forças motrizes para o fechamento de inúmeras agências bancárias, redução do uso do papel-moeda (por ser um vetor pra patógenos, inclusive SARS-CoV-2). Se não me falha memória, foi nessa época também que acabaram com pessoa cobradora de ônibus em Sampa, e centralizaram mais no Bilhete Único. Não dá pra dizer que a pandemia findou, mas houve, por exemplo, o RTO (retorno ao escritório). Mesmo assim, toda aquela digitalização da quarentena acabou permanecendo. Muitos “Terceiros Lugares”, como shopping center, enfraqueceram/fecharam após a pandemia por conta do comércio digital. Religiões abraçaram culto/missa/gira/rituais/etc online. Até ensino público (como o Centro Paula Souza com a ETEC e a FATEC) adotou mais o EaD via Micro$lop Teams e Moodle durante e pós pandemia.
Quando mudei pro interior mineiro, achei que a vida aqui seria muito mais simples e respirável, menos dependente do digital, por ser mais rural. Ledo engano: embora, sim, exista um comércio físico relativamente ativo, mineirxs usam bastante o Pix, mais até que cartão. Aluguel é pago por Pix, apps de carona regionais (concorrentes locais da Uber) também são geralmente Pix, pra Área Azul põe crédito via Pix, enfim… praticamente tudo é Pix por aqui. Única coisa que, por enquanto, é só dinheiro, é ônibus circular, mas já existe toda uma estrutura para, se não migraram ainda, migrarem pro Pix (porque o dinheiro compra um cartão NFC que é passado e depositado lá na catraca).
Já é meio que automático das pessoas, quando questionadas da forma de pagamento, “é o meu celular” ou “é esse CNPJ” (chaves Pix). É mais sitiante que às vezes se vê pagando as coisas em dinheiro, mas também têm costume de usar Pix.
uso por crianças
Pior que não tinha pensado nisso, exatamente! Até existe conta para menor de idade (lembro de ter visto propaganda de fintech nesse sentido) mas, é como você falou, dar conta bancária na mão de criança é pedir pra cair em golpe. E com esse lance de “validação de idade” passando no mundo todo, incluindo países (Austrália) e estados (Arizona) onde estão banindo (ou querendo banir) totalmente o uso de celulares por menores de idade, cria-se uma situação de dissonância cognitiva onde a sociedade exige meios digitais até pra respirar, enquanto proíbe menores de acessá-los.
Estamos nos deixando levar por uma pequena comodidade
Como diz o ditado, quem busca segurança e comodidade acaba ficando sem os dois.
Tem lugar que nem aceita mais dinheiro vivo, muitas vezes porque só tem autoatendimento.
Até por isso tenho tentado trocar o meu dinheiro o máximo possível.
P.S.: agora que reparei, você menciona caixas de autoatendimento. Mas alguns deles aceitam dinheiro também, não? Nas rodoviárias da minha cidade, ao menos há uns que sim, aceitam dinheiro vivo.
E Pix depende de internet, e a rede móvel estava sem sinal, e Wi-Fi aberto da loja exigia login com Facebook, e eu não estava com o cartão.
Que pesadelo…
passei vergonha e deixei as coisas lá porque não tinha meios de pagar.
Com “deixar as coisas lá” você quer dizer deixar o seu pedido ou deixar as suas coisas pessoais como forma de pagamento? Just kidding. Entendi no contexto, mas é que você falou que era um restaurante em beira de estrada, imaginei esse tipo de situação, enfim…
Mas quem deveria estar com vergonha eram eles por perderem o cliente por serem uns exclusivistas do caralho. Fique de boa. Nesses lugares a gente só vai e dá meia volta.
Os lugares que ainda aceitam papel moeda, só faltam enviar o dinheiro pra análise do banco central, de tanto que ficam virando e revirando a nota e fazendo o cliente parecer um golpista pra quem tá na fila esperando pra ser atendido
Tenho sorte de ser atendido por pessoas que acreditam ainda na credibilidade do dinheiro em papel. Raramente isso acontece, até porque não ando com notas muito altas.
E nem sempre tem troco.
Aí vem a questão que comentei no início deste comentário. Quando saco dinheiro, tenho de trocá-lo o mais rápido possível com o perigo de não poder utilizá-lo no futuro. Às vezes vou ao mercado comprar alguma coisinha (eles nunca chiam por trocar o dinheiro), às vezes vou à banca de jornal (o banquista é sempre gente fina).
Tem o tal do “Pix saque”
E vamos de aberração do sistema bancário brasileiro que quer ser ultradigital em um país onde o telefone celular atuaiizado é raridade e onde a internet não é um bem público, dotado de soberania sobre os dados locais…
Com “deixar as coisas lá” você quer dizer deixar o seu pedido ou deixar as suas coisas pessoais como forma de pagamento?
A sorte é que eu não tinha “consumido” nada ali, era produto de varejo tipo salgadinho Fandangos, isotônico Powerade, aquele Nescafé cappucino pronto e coisa similar pra levar pra comer… Senão eu tava é ferrado, teriam que chamar a Polícia e o escambau. haha
você menciona caixas de autoatendimento. Mas alguns deles aceitam dinheiro também, não? Nas rodoviárias da minha cidade, ao menos há uns que sim, aceitam dinheiro vivo.
É raríssimo ver esse tipo de totem (autoatendimento). Pra um totem lidar com dinheiro físico, tem todo um mecanismo necessário (verificar se o que está sendo inserido é dinheiro de verdade mesmo, que tipo de nota que é, etc…, depois tem o transporte de valores envolvido, pessoal de serviços como Brinks e Prossegur tendo que fazer a retirada do lote, mó dor de cabeça) que sai mais caro o molho do que o peixe. Então pra corte de custos e de dor de cabeça (pra pessoa dona do comércio), geralmente se usa totem que só lida com pagamentos eletrônicos, Pix, cartão de crédito ou débito (às vezes até limitado a bandeiras como Visa e MasterCard, sem aceitar Elo e afins), Mercado Pago, PicPay, etc, às vezes vale-alimentação… E basicamente só. Aí gera situações onde, se tudo tiver com problema (como vira e mexe tem problema com AWS afetando o sistema do Pix e de gateways de pagamento simultaneamente), a pessoa tem que largar as coisas porque não tem como efetuar o pagamento.
E vamos de aberração do sistema bancário brasileiro que quer ser ultradigital em um país onde o telefone celular atuaiizado é raridade e onde a internet não é um bem público, dotado de soberania sobre os dados locais…
Pois é… E fora a dependência de ter uma operadora, Vivo, Claro, Tim, Sercomtel… E a necessidade de ter que ficar botando crédito todo mês senão vai-se embora o número de telefone e toda uma vida digital porque email geralmente exige o número de celular e WhatsApp exige número de celular e até coisa do governo exige número de celular.
Até por isso tenho tentado trocar o meu dinheiro o máximo possível.
Com a adoção cada vez maior de meios digitais de pagamento, não só pelos comerciantes mas também pelos consumidores, a tendência é cada vez mais escassez. Escassez essa que já existe com lugares “pagamos para trocar moedas” (um aviso que notei em vários lugares que já fui, inclusive supermercados) porque tão precisando urgentemente de moedas e tal, só que ao mesmo tempo .
Tenho sorte de ser atendido por pessoas que acreditam ainda na credibilidade do dinheiro em papel. Raramente isso acontece, até porque não ando com notas muito altas.
Certamente deve ser isso. Porque notas acima de 10 reais já começa a gerar suspeita. E pra piorar, caixa eletrônico de banco há um tempo tem tido só notas altas (20, 50, 100, 200)
A sorte é que eu não tinha “consumido” nada ali
Ufa! Ainda bem… Pergunto porque já passei pela situação de fazer um pedido de comida perecível e realmente ter alguma dificuldade com o pagamento.
sai mais caro o molho do que o peixe
Adorei essa expressão! 😂
Aí gera situações onde, se tudo tiver com problema (como vira e mexe tem problema com AWS afetando o sistema do Pix e de gateways de pagamento simultaneamente), a pessoa tem que largar as coisas porque não tem como efetuar o pagamento.
Ainda não presenciei esse recurso em ação. Atento pela próxima vez em que eu for nesses mercados de estrada ou de bairro nobre…
E a necessidade de ter que ficar botando crédito todo mês senão vai-se embora o número de telefone
Eu pelo menos voltei mais a fazer mais chamadas até para evitar o uso de Whatsapp. Pagar uma taxa pelos créditos para mim é até algo necessário…
porque tão precisando urgentemente de moedas e tal, só que ao mesmo tempo .
Essa frase pareceu incompleta. Ou é assim mesmo?
E pra piorar, caixa eletrônico de banco há um tempo tem tido só notas altas (20, 50, 100, 200)
Isso sim é bizarro. Sempre tenho que fazer um cálculo para que venha o mínimo de notas de 50 possível. Antigamente ao menos davam-nos opções de retirada de cédulas. Agora só despejam as cédulas da forma que for possível. Quase que pra despachar logo o cliente…
Essa frase pareceu incompleta. Ou é assim mesmo?
Eita! Acabei que na edição da mensagem (pra encaixar no limite de caracteres) apaguei um trecho e não percebi.
O que eu tinha originalmente escrito ali era que: os supermercados e similares tão precisando urgentemente de moedas e tal, até pagam (dão desconto) se a pessoa pagar um valor grande em moedas, mas ao mesmo tempo eles têm esse preconceito com dinheiro vivo, aí complica o intuito deles de conseguir ter troco.
Ainda não presenciei esse recurso em ação. Atento pela próxima vez em que eu for nesses mercados de estrada ou de bairro nobre…
A tela/interface varia bastante: em alguns totens pode aparecer explícito como menus principais de pagamento (“Cartão de débito, Cartão de crédito, VA/VR, Pix, Mercado Pago, PagBank, PicPay…”), noutros agrupam em submenus (“Cartão, Pix, Carteiras digitais”) com a opção de carteiras digitais à parte, porque é mais raro de ser usado pelas pessoas.
Essa disposição de menus vai depender do sistema PDV (Ponto de Venda) que está em operação e de qual empresa de automação comercial desenvolveu o PDV.
Já o pagamento por carteira digital, quando em ação, é praticamente igual ao Pix: o totem gera um QR Code, quase igual do Pix, mas cujo pagamento ocorre direto através de uma fintech específica (é, no fundo, um sucessor espiritual daquela antiga funcionalidade de transferência entre contas da mesma instituição).
Geralmente a única vantagem é o cashback (que não se vê, ou é mais difícil de se ver, para Pix), porque de resto é igual, até a instantaneidade da coisa.
Mas, você vê, e aí entra o ponto lá do início: os comércios e software houses preferem investir em uma funcionalidade que poucos usam (Carteira digital) mas não em um sistema mecatrônico para aceitar pagamento em dinheiro vivo, mecanismo que, como citei anteriormente, é mais difícil de se presenciar em totens do tipo.
Antigamente ao menos davam-nos opções de retirada de cédulas
Bradesco parece que ainda dá essa possibilidade de escolher individualmente cédulas, mas depende de quais cédulas têm no caixa eletrônico atual. Me referia ali mais à disponibilidade geral dos caixas, aquilo que aparece na tela principal “Notas disponíveis: 20, 50, 100” por exemplo.
Eu pelo menos voltei mais a fazer mais chamadas até para evitar o uso de Whatsapp.
Pior é que as pessoas associaram “ligar/chamada” à função VoIP do WhatsApp: “Pode me ligar?”, “posso, 1 min”, daí vem a tela de chamada do WhatsApp e não do sistema-telefone. Junto com o modo “Não perturbe” que as pessoas acabam ativando porque colecionam trocentas notificações na gaveta de notificações do Android, ao tentar efetuar uma chamada telefônica é quase certeza de cair num “esse número está configurado para não receber chamadas”, ou tocar até cair na caixa postal.
E piorou tentar recomendar às pessoas que não querem ou não podem lidar com chamada telefônica, os meios alternativos ao WhatsApp, como XMPP, SimpleX e Matrix.
Antes de tudo, dei uma passeada no seu perfil, e que plataforma linda, hein? É tipo um Akkoma turbinado…
até pagam (dão desconto) se a pessoa pagar um valor grande em moedas, mas ao mesmo tempo eles têm esse preconceito com dinheiro vivo,
Estranho mesmo. É a lógica do mercador: vende o máximo para investir o mínimo.
Mais estranho ainda é o movimento recente de adoção de dinheiro vivo. (Perdão mandar link com muro cobrador, mas é que eu só encontrei essa informação nessa matéria que estava primeiramente em versão impressa).
mas não em um sistema mecatrônico para aceitar pagamento em dinheiro vivo
Que nunca chegou ao Brasil inclusive, não é? Ou estou enganado? Nunca vi totem para dinheiro. No Japão isso é comum, pelo que sei.
ao tentar efetuar uma chamada telefônica é quase certeza de cair num “esse número está configurado para não receber chamadas”, ou tocar até cair na caixa postal
Um inferno isso. Minha mãe só atende chamada pelo Whatsapp. Não entendo como não toca pela linha direta, mas pelo mensageiro, sim.
E piorou tentar recomendar às pessoas que não querem ou não podem lidar com chamada telefônica, os meios alternativos ao WhatsApp, como XMPP, SimpleX e Matrix.
Ligação telefônica e mensageiro alternativo, os dois a 80 km/h, qual dos dois ganha na corrida de comunicação alternativa?
Tenho o app gov.br de enfeite no celular. Essa coisa nunca reconheceu meu rosto. Tentei entrar em contato com o suporte no site e não tive nem resposta. Por telefone, em uma agência tipo o Poupatempo, “ah, o senhor quer emitir um novo documento, é isso?”, a pessoa do outro lado da linha não entendeu o problema.
Daí última vez que fui logar no Detran, tive que esperar dois minutos numa tela que me “recomenda o uso do 2FA” e marcar uma caixinha ali “estou ciente de que a não utilização de dois fatores me expõe ao risco de acessos não autorizados e blá blá blá”, e clicar “agora não” (eles estão pouco se lixando com o conceito de consentimento, “sim” ou “agora não”?). Por “agora não”, entende-se que em um futuro, só vou poder usar a coisa depois de uma autenticação de dois fatores que não funciona com meu rosto, e resolver exige que eu viaje trocentos quilômetros, pague área azul pra estacionar na via pública ou pague passagem de ônibus, pra talvez resolver o problema num celular que logo logo vai precisar ser trocado e precisar de resolver a questão de facial tudo de novo…
Más não é só aqui no Brasil não. Mais cedo eu postei no meu perfil um print que vi de uma pessoa, da carteira de identidade da União Europeia se recusando a funcionar no grapheneos. Carteira de identidade essa necessária para, entre outras coisas, candidatar-se a emprego. Aí o celular da pessoa da problema, a pessoa tá desempregada, e pra conseguir emprego tem que ter um celular pra usar o app. Esse é o absurdo que esse mundo está se tornando.
E a tendência é piorar, principalmente com esse lance de verificação de idade. Daí pessoas como eu, um luciferiano sincrético independente (portanto sem sequer a proteção de uma egrégora de um templo/terreiro registrado) num país fundamentalista evangélico, de repente vão ter toda a vida digital atrelada ao nome do CPF a partir do momento em que eu fizer validação de idade com meu CPF pra acessar até mesmo o fediverso, e empresas vão recusar ainda mais meu currículo (já recusam porque eu não tenho a tal da “network” e nem perfil em Facebook e demais redes “socialmente aceitas”) porque não vão querer ter um funcionário que “cultua o capeta”, e nem o governo nem ninguém vai se responsabilizar pelo ostracismo social causado pelo vínculo entre a identidade imutável como pessoa física e aquilo que é socialmente tabu (ocultismo, bruxaria, etc), que encontrava algum refúgio aqui no anonimato da internet. Pessoas gostam de usar aquela frase “se não tem nada a temer, não tem nada a esconder”, porque são pessoas que não tem visões de mundo socialmente vistas como tabu que levariam elas ao ostracismo social. Perdão pelo desabafo, mas já larguei mão desse mundo. Ainda estou vivo é por puro azar mesmo.
Bem isso mesmo, a tecnologia sendo usada como ferramenta de exclusão de minorias. por enquanto, só exclui gente muito pobre, idosos e as minorias das minorias, que não tem ou quer acesso a sistemas invasivos por motivos variados, gente que “ninguém se importa”. Depois vai abrangendo cada vez mais grupos, como naquela história que contam por aí sobre o crescimento no fascismo. Então quando chegarem nos grupos maiores, aí não terão voz sozinhos para se defender, porque todo o resto já foi silenciado




